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Artigo — Sinos: 20 anos pós desastre*

Eventos extremos, alterações no regime das chuvas, a estiagem e enchentes mostram que nossas escolhas deixam marcas

Magali Schmitt

Magali Schmitt

©Comunicação Comitesinos

O Comitesinos mantém atuação permanente na gestão dos recursos hídricos para que um desastre como o de 2006 jamais se repita

Há 20 anos, o Rio dos Sinos vivia um dos capítulos mais dolorosos de sua história. A mortandade de peixes expôs, de maneira brutal, o quanto um curso d’água pode sofrer as consequências da atividade humana. Toneladas de peixes mortos, perda de biodiversidade, impacto sobre o abastecimento e nas vidas de quem dependia do rio transformaram este episódio em um marco ambiental. A dimensão do desastre obrigou poder público, empresas, instituições e sociedade a olharem para o Sinos como uma atenção que não podia mais ser adiada.

De lá para cá, houve avanços, mas ainda modestos. Recentemente, tivemos episódio de gosto e odor na água por dias, sem haver a definição das causas. A maior mudança deve ser a consciência de que meio ambiente não é um tema isolado, reservado a especialistas ou ambientalistas. A forma como as cidades crescem e os modos de produção e consumo fazem parte de um mesmo sistema. Não dá mais para pensar desenvolvimento sem sustentabilidade: o que fazemos em uma parte da bacia inevitavelmente repercute em outra.

Essa compreensão tornou-se ainda mais urgente diante dos desafios ambientais do nosso tempo. Eventos extremos, alterações no regime das chuvas, a estiagem e enchentes mostram que nossas escolhas deixam marcas. O desastre de 2006 permanece, portanto, também como lembrança necessária: rios não adoecem sozinhos. O estado das águas revela muito sobre a maneira como nos relacionamos com o território. Por isso, o Comitesinos mantém atuação permanente na gestão dos recursos hídricos para que um desastre como aquele jamais se repita.


*Viviane Feijó Machado — presidente do Comitesinos



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